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Natal e Páscoa: Papai Noel, Chocolate ou Jesus?

Já presenciei discussões e li várias reflexões sobre a comemoração do Natal e da Páscoa envolvendo essa questão de Papai Noel, coelhinhos e ovos de chocolate. Tanto que resolvi colocar aqui minha opinião sobre o assunto.

 

Temos, seguramente, uma mistura de informações, credos e tradições envolvidas nessa discussão. A desinformação é a pior arma contra a elucidação dessa questão, aparentemente simples, mas que esconde um histórico de tradições, pensamentos e opiniões que nos envolvem em um debate intenso e sem fim sobre essas importantes comemorações do calendário cristão.

Um pouco de história bíblica é fundamental

A comemoração da Páscoa tem sua origem no Judaísmo. Deus ordenou a Moisés, um ano após o êxodo do Egito – onde o povo hebreu era escravo – que comemorassem exatamente essa libertação, na forma de um estatuto perpétuo para as gerações futuras. A razão era para que o povo jamais se esquecesse o modo como Deus os havia livrado do jugo dos egípcios. A libertação se deu após Deus enviar a décima praga – morte de todos os primogênitos no Egito. Para o povo hebreu, Deus ordenara antes a Moisés que cada família sacrificasse um cordeiro, oferecido no lugar do primogênito daquela família. O sangue do animal deveria ser passado na porta das suas casas, do lado de fora. O anjo da morte, enviado por Deus, ao ver o sangue no umbral da porta, “passaria adiante” para a casa seguinte, deixando vivo o primogênito daquela casa. Assim, a décima praga teve efeito apenas sobre os egípcios, inclusive o filho do Faraó, o que foi suficiente para que ele deixasse o povo hebreu ir embora, em busca da terra prometida.

A palavra “Páscoa” significa “passe adiante”, em hebraico. A comemoração foi instituída por Deus para ser celebrada em dia específico: todo 14º dia do segundo mês do calendário judaico. Por estar vinculada à Páscoa dos judeus, a Páscoa cristã fica se alternando entre os meses de março e abril. Os cristãos comemoram o sacrifício feito por Jesus, pois Ele é “o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” e nos livra da morte eterna.

A comemoração do Natal, por sua vez, não possui uma data estabelecida nas escrituras sagradas e nem é reverenciada pelos judeus, já que eles continuam esperando a vinda do “Messias” até hoje. Sim, Jesus, o nosso Salvador, não foi reconhecido pelos seus compatriotas judeus como sendo o “Cristo”.

Ambas as palavras, Cristo e Messias, significam o “Ungido de Deus” tão esperado pelos judeus – a primeira escrita em grego e a segunda, em hebraico. Jesus, a pessoa mais importante do cristianismo, é anunciado no evangelho de João como o próprio Deus vindo em carne, mas só é reconhecido como sendo o filho de Deus pelos seus apóstolos.

A igreja decidiu, então, estabelecer a data de 25 de dezembro como o dia do nascimento do Filho de Deus, vindo em carne para nos salvar, para ser comemorada perpetuamente pelas gerações cristãs. O dia exato, muito provavelmente, não é este, mas, para o cristianismo, é o momento certo para manifestar ao mundo um evento tão marcante para a humanidade.

Por que as datas e comemorações são importantes?

Deus é um profundo conhecedor da alma humana, afinal, foi Ele quem nos fez. Sendo assim, Moisés, instruído por Deus, deixou registrado certos rituais que figuravam como estatutos perpétuos – e deveriam ser praticados pelos judeus para lembrá-los dos grandes feitos do Senhor no meio do Seu povo. Nossa alma rebelde, porém, tão propensa a esquecer das coisas e sempre ávida por algo novo, nos desvia dos ensinamentos e costumes que regem a nossa vida social e, principalmente, a espiritual.

Mesmo tendo visto o mar vermelho se abrir, ruírem as muralhas de Jericó e o exército de Senaqueribe ser dizimado em uma única noite, ainda assim, as gerações seguintes do povo judeu sempre acabavam fazendo o que era mal diante de Deus. A Páscoa e todos os outros rituais judaicos sempre foram um convite para o reavivamento da memória espiritual do povo, da mesma forma como a Páscoa e o Natal para nós, cristãos. Os costumes passam e as experiências são facilmente esquecidas pelas gerações que não viram e não viveram essas experiências.

O que dizer sobre Noel, coelhos e chocolates?

Antes de falar sobre isso, lembro que o apóstolo Paulo passou dois anos em prisão domiciliar em Roma, aguardando sua condenação e execução por anunciar o evangelho de Jesus. Nesse tempo, toda a guarda pretoriana, encarregada de vigiá-lo, acabou ouvindo do evangelho por meio desse apóstolo tão fiel a Cristo. Mas ele conta que havia algumas pessoas que proclamavam o evangelho com outras intenções:

“Alguns efetivamente proclamam a Cristo por inveja e porfia; outros, porém, o fazem de boa vontade…. Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado…” (Filipenses 1:15-18).

Pensando nessa experiência de Paulo e no fato de que nossas gerações facilmente se afastam das verdades cristãs, eu ousaria utilizar das mesmas palavras do apóstolo: “Todavia, que importa?”

Não desconsidero a triste visão de que, nos dias de hoje, o nascimento e a morte de nosso Senhor e Salvador acabam se resumindo em coelhos e chocolates, mas, inegavelmente, a memória desses fatos tão importantes para nós, cristãos, continua se perpetuando nas figuras do Papai Noel, nos presentes, coelhos e ovos de Páscoa.

O que podemos fazer a respeito?

Como Paulo, não posso concordar que isso tudo seja normal e que, no final das contas, tudo seja válido. Assim, fica o alerta para nós, cristãos, sobre nossa responsabilidade de mantermos viva a mensagem do nascimento, vida e morte de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Também o compromisso de ensinar o real significado do Natal e da Páscoa para as nossas gerações futuras.

Como o nome deste blog é “Pensando Alto”, eu me permito concluir meus pensamentos escrevendo: ainda bem pelo Papai Noel, pelos coelhinhos e chocolates que, de uma maneira ou outra, acabam contribuindo para a continuidade dessas duas celebrações cristãs. Quanto a nós, cristãos, cabe aproveitar a oportunidade e ser diligentes em anunciar qual, verdadeiramente, é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para os homens.

Até o próximo “Pensando Alto”…..

Carlos Alberto Lemes é natural de Jacareí, SP, tem 62 anos e é casado. Cristão convicto desde os 28 anos de idade, participa como membro atuante no Templo Batista Bíblico em Jacareí, SP, onde ministra regularmente, há mais de 20 anos, na Escola Dominical, o curso “Doutrinas Básicas da Vida Cristã”. Formado em Administração e pós-graduado em Gestão Empresarial. Tem Mestrado em Engenharia de Produção pela UNESP, além de uma experiência de 42 anos dedicados à indústria. Atua também, desde 2005, como professor universitário em cursos de Graduação e MBA, nas disciplinas de Administração e Logística.

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