Cristianismo,  Reflexões,  Vida Cristã

Bebendo água de fonte poluída

Um certo pastor americano esteve pregando em minha igreja algum tempo atrás. Ele havia trabalhado por um período como missionário em algumas aldeias na África e nos contou, naquela ocasião, que, durante sua permanência em uma dessas aldeias, uma coisa muito estranha lhe chamou a atenção. Havia naquela tribo um grande número de pessoas que traziam os seus membros enfaixados com uma bandagem branca, como proteção para algum tipo de ferimento em suas pernas ou braços. Muitos deles permaneciam com aqueles panos por dias seguidos, até finalmente removerem tudo e voltarem à vida normal, como se nada tivesse acontecido no local da atadura.

Muito curioso – disse ele –, perguntei a um dos moradores da aldeia sobre o que se tratava aquele pano e por que tudo se findava assim tão subitamente. Com paciência e simplicidade, o aldeão me respondeu que era uma espécie de parasita que infestava a região, cujas larvas seriam depositadas nas águas dos riachos e fontes e, fatalmente, seriam ingeridas por quem bebesse de suas águas. Tais larvas, infiltradas na corrente sanguínea do hospedeiro, se alojavam bem abaixo da sua pele, onde se desenvolviam e cresciam vagarosamente. Não causavam problemas de saúde ao hospedeiro e, a partir de um determinado momento, rompiam a pele da pessoa e começavam um processo de saída. Esse processo era lento e demorado, mas não poderia ser interrompido, pois, de tão frágeis, as larvas poderiam se romper, causando infecção e feridas graves ao seu portador.

Essa era a razão de haver tanta gente com esses panos amarrados, esperando que o parasita concluísse totalmente o seu processo de saída. Então, queimavam os panos para evitar a continuidade do seu ciclo de vida, mas isso não era suficiente, é claro.

O Pastor usou esse episódio como pano de fundo para a sua pregação, nos mostrando o perigo de se beber água em fontes aparentemente limpas, porém poluídas.

Nem tudo é tão bom como parece…

A Bíblia nos ensina que “há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte” (Provérbios 14:12).

Nosso país, possuidor de uma riqueza cultural tão intensa, traz também em seu bojo um sincretismo religioso igualmente intenso. Gozamos de uma liberdade religiosa que nos permite seguir, além da fé católica e protestante, religiões de tradição oriental, africana, árabe e outras culturas e ritos populares, oriundos de nossos bisavós e antepassados mais longínquos, como os próprios índios, antigos habitantes de nossa terra brasilis.

A questão maior não é o que cada um vai escolher seguir como sua prática de fé, mas sim a mistura que fazemos para justificar a maneira como nos comportamos diante das diversas situações.

Foi assim com o rei Henrique VIII da Inglaterra, que provocou uma reforma religiosa em seu país ao se desligar da igreja de Roma, criando a igreja Anglicana, simplesmente pela não aceitação de seu pedido de divórcio enviado ao papa Clemente VI, para poder justificar seu novo casamento.

Tudo é uma questão de querer moldar as verdades de Deus à nossa maneira de viver e não a nossa maneira de viver às verdades de Deus. O próprio Jesus, ao ser interrogado pelos religiosos da época, lhes respondeu “vocês erram por não conhecerem as Escrituras nem o poder de Deus” (Mateus 22:29).

O que Jesus está dizendo é que a responsabilidade pela escolha certa é somente nossa. Com tantas opções e a possibilidade de escolhermos os nossos próprios caminhos, devemos buscar com mais clareza e cuidado por qual deles devemos seguir, sem transferir a responsabilidade para Deus, caso o final do caminho escolhido não seja onde esperávamos chegar.

O fato de eu não ter visto a placa de contramão não me exime da culpa de estar conduzindo meu carro na direção errada. O apóstolo Paulo, em visita a Atenas, notou que eles tinham uma estátua oferecida ao “deus desconhecido”, para o caso de existir algum deus que eles não estivessem adorando. Entre os sacrifícios oferecidos pelo sacerdote judeu, existia um chamado de “sacrifício pela ignorância”, para o caso de estarem cometendo algum pecado sobre o qual não tivessem conhecimento. A máxima do direito civil reza que “a justiça não socorre quem dorme”, referindo-se ao fato do desconhecimento da lei. Portanto, se nos proclamamos como adeptos de alguma religião, tenhamos o cuidado de saber o que tal crença professa. Se professamos a fé cristã, devemos conhecer as Escrituras e entender o que Jesus ordenou aos seus discípulos que fosse ensinado ao povo.

E aqui eu concluo mais este “Pensando alto” parafraseando o que foi dito aos judeus pelo seu líder Josué, após este tentar, insistentemente, convencê-los a se voltarem para Deus:

“Porém, se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do Eufrates, ou aos deuses dos Amorreus, em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. Josué 24:15

 

Até o próximo “Pensando Alto”…..

Carlos Alberto Lemes é natural de Jacareí, SP, tem 62 anos e é casado. Cristão convicto desde os 28 anos de idade, participa como membro atuante no Templo Batista Bíblico em Jacareí, SP, onde ministra regularmente, há mais de 20 anos, na Escola Dominical, o curso “Doutrinas Básicas da Vida Cristã”. Formado em Administração e pós-graduado em Gestão Empresarial. Tem Mestrado em Engenharia de Produção pela UNESP, além de uma experiência de 42 anos dedicados à indústria. Atua também, desde 2005, como professor universitário em cursos de Graduação e MBA, nas disciplinas de Administração e Logística.

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