Administração,  Reflexões

A dicotomia do avanço tecnológico e a formação do conhecimento.

Hoje eu me peguei “Pensando Alto” em uma situação que venho observando já há algum tempo: “a dicotomia entre benefícios e perigos provenientes da rápida evolução tecnológica”. Pode parecer um absurdo achar que a evolução tecnológica possa oferecer algum perigo, mas fiz algumas reflexões que gostaria de compartilhar aqui com vocês. Voltando um pouco no tempo, não tão longe assim, no período em que estava cursando colégio técnico, me lembro claramente do desafio que era realizar um trabalho de pesquisa, qualquer que fosse o assunto. Invariavelmente, tínhamos que nos reunir na biblioteca da escola, que mais parecia uma extensão da sala de aula, porque a maioria dos alunos estava lá para o mesmo fim. Era uma epopeia! Com vários livros para consultar, tínhamos que ler todos e fazer uma síntese dos pontos principais para, então, concatenar o que nos interessava, formando um único texto para o trabalho. Não havia “copy-paste”, nem textos prontos para se copiar. Aliás, pasmem vocês, que nasceram depois dos anos 1980, que pertencem à geração Y ou Z, os textos selecionados precisavam ser copiados à mão e, depois, datilografados e não digitados como são hoje.

 

Ah a tecnologia! Como tudo evoluiu para melhor! Inegavelmente, tudo ficou muito mais fácil e isso é tremendamente bem-vindo. Atualmente tudo está ao alcance das mãos; eu diria, ao alcance de um “click”. Como professor já há alguns anos, tenho que estar bem atualizado, porque meus alunos imediatamente acessam o celular – que já foi um aparelho utilizado apenas para ligações telefônicas – e obtêm respostas imediatas sobre o assunto que está sendo discutido. Não quero entrar aqui no mérito de centenas de milhares de trabalhos acadêmicos prontos e disponíveis na internet.

Mas onde está, afinal, o perigo disso tudo?

O processo da formação do conhecimento

Antes, eu gostaria de abordar a questão do processo da formação do conhecimento, conforme indicado na figura. O que se tem hoje é, na verdade, uma infinita quantidade de dados, constituindo a base da pirâmide do conhecimento, onde está seu maior volume, disponível a todos em uma velocidade de acesso cada vez mais rápida.

Se, de alguma forma, esses dados são inteligíveis para aqueles que os acessam, pode-se dizer que tais dados se transformam em informação para os que os buscam. Assim, a internet se tornou um fantástico banco de dados para todos ou, de maneira mais restrita, em um banco de informações disponível para alguns.

Em um terceiro patamar dessa pirâmide está o conhecimento, que é justamente a aplicação da informação recebida, associada à experiência de quem a utiliza. Com isso, pode-se dizer que o conhecimento está diretamente relacionado com o “saber” utilizar bem a informação recebida.

A prática recorrente do conhecimento adquirido irá produzir a sabedoria, que é o último patamar da pirâmide do conhecimento. Somente o tempo e a decisão pessoal de aplicar o conhecimento alcançado irão proporcionar sabedoria a alguém sobre qualquer assunto específico ou situação. O especialista é um sábio naquilo em que ele se especializou.

A partir desse ponto é que eu começo a perceber um certo risco causado pelo avanço tecnológico que oferece facilidade imediata de armazenagem e acesso a uma grande nuvem de dados ou informação. Para dar mais ênfase à minha observação, eu devo associar essa avaliação ao conhecido processo do nascimento de uma borboleta: se ela nasce pelos seus próprios esforços, suas asas se fortalecem e ela começa uma vida saudável. Porém, se a auxiliamos a romper o casulo, suas asas não se abrem totalmente e ela acaba morrendo por não conseguir voar para se alimentar ou fugir de seus predadores.

O perigo está exatamente na disparidade entre a velocidade das novas descobertas e a velocidade com que as novas gerações adquirem conhecimento. O fato de ter a informação não garante que iremos saber aplicá-la. A facilidade com que a informação está disponível pode produzir exatamente o mesmo efeito como na asa da borboleta, ou seja, incorrer no risco de se ter uma geração com a posse de uma quantidade absurda de dados, com muita informação, porém pouco conhecimento e quase nenhuma sabedoria. A facilidade sugere pouco esforço na obtenção da informação e o perigo de já se tomar como certo o conhecimento, para depois falhar na sua aplicação. O risco não está no avanço da tecnologia, mas sim no modo como lidamos com tudo isso.

Como eu disse no início, estou apenas Pensando Alto, com base nas minhas observações. Fica, no entanto, o alerta e o desafio da busca constante do conhecimento. Nosso cérebro, assim como nossos músculos, precisa de exercícios e praticas regulares para se manter forte e saudável.

 

Até o próximo “Pensando Alto”…..

Carlos Alberto Lemes é natural de Jacareí, SP, tem 62 anos e é casado. Cristão convicto desde os 28 anos de idade, participa como membro atuante no Templo Batista Bíblico em Jacareí, SP, onde ministra regularmente, há mais de 20 anos, na Escola Dominical, o curso “Doutrinas Básicas da Vida Cristã”. Formado em Administração e pós-graduado em Gestão Empresarial. Tem Mestrado em Engenharia de Produção pela UNESP, além de uma experiência de 42 anos dedicados à indústria. Atua também, desde 2005, como professor universitário em cursos de Graduação e MBA, nas disciplinas de Administração e Logística.

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